segunda-feira, 1 de junho de 2026

CINEMIA - O cinema feito 100% por IA já é realidade. E agora?

 O cinema feito 100% por IA já é realidade. E agora?

'Hell Grind', que circulou em Cannes neste ano, é um dos primeiros filmes longa-metragem produzidos integralmente com inteligência artificial generativa Imagem: Divulgação/Higgsfield 

Mais rápido do que você imagina, um filme longa-metragem ou série criada 100% por inteligência artificial generativa irá aparecer na sua tela. Não é previsão, é fato: as produções já estão circulando no mercado, tanto em festivais quanto nos catálogos de agentes de vendas. Já tem até animação encomendada pela Amazon. Tudo isso para assombro, empolgação e medo de muita gente na indústria do entretenimento.

O barulho ganhou forma tangível no Festival de Cannes, realizado em maio. De um lado, os organizadores traçaram uma linha em que permitem o uso de IA apenas como uma ferramenta auxiliar. Um exemplo é "John Lennon: The Last Interview", do diretor Steven Soderbergh, que teve uma exibição especial no evento. O documentário conta com cerca de 10% dos seus elementos visuais criados com a tecnologia — causando uma certa controvérsia por sua natureza híbrida.

Porém, enquanto isso, curtas-metragens totalmente sintéticas deram as caras no World AI Film Festival (WAiFF), uma mostra paralela — como outras que ocorrem no período na cidade da Riviera Francesa — reunindo curtas e experimentos visuais totalmente criados com IA. No geral, foram vídeos ainda muito crus, comparáveis aos primeiros produzidos pelos Irmãos Lumiére na infância do cinema, no final do século 19.

O evento até fez sobrancelhas se levantarem e cineastas torcerem o nariz, mas o que realmente importa para o futuro próximo ocorreu perto dali, no Marché du Film.

Parte importante do ecossistema de Cannes, o mercado é realizado desde 1959 e é ali que distribuidores, canais, estúdios e streamings do mundo inteiro negociam e adquirem direitos de exibição de filmes e séries. É dentro dele que acontece o Cannes Next, área dedicada à inovação tecnológica e novos modelos para a indústria audiovisual — e onde a inteligência artificial foi mais abraçada.

Nesse contexto, "Hell Grind" chamou a atenção — um projeto que leva a assinatura da Higgsfield AI, uma startup da área de tecnologia, e não do entretenimento.

O longa-metragem é inovador porque alega resolver um dos maiores problemas dos vídeos generativos: consistência de personagens e continuidade narrativa ao longo de seus 95 minutos de duração. Com uma equipe de cerca de 15 pessoas, teria sido totalmente produzido em apenas duas semanas. O custo, segundo os responsáveis, foi de US$ 500 mil (R$ 2,5 milhão, na cotação atual) — 80% destinado à computação. Tudo isso representa apenas a fração do esforço de um filme real que mistura ficção científica, fantasia e ação.

Houve até a exibição em um cinema de Cannes que não faz parte da programação oficial do festival — o que levou ao New York Times tratar o longa, de forma imprecisa, como parte da mostra, o que causou ainda mais controvérsia.

Até agora, não foram anunciados acordos de distribuição de "Hell Grind" — e o trailer não traz nenhuma data de estreia comercial.

O avanço em Tribeca

Se em Cannes a inteligência artificial orbitou o evento e esteve presente em estandes de venda e salas de negociações, em Nova York ela passará pelo tapete vermelho. O Tribeca Festival, fundado pela trinca Robert De Niro, Jane Rosenthal e Craig Hatkoff, anunciou na última semana que contará com o primeiro filme totalmente produzido por IA generativa em sua programação oficial.

"Dreams Of Violets" terá a sua première em 10 de junho — em uma exibição especial, fora de competição.

A diferença para "Hell Grind" é que este longa-metragem de 90 minutos é baseado em fatos. A história é sobre os protestos que ocorreram no Irã em janeiro deste ano, provocando uma escalada da repressão estatal e causando um número de mortes estimado em 7 mil pessoas. Ainda que todos os personagens sejam sintéticos, tudo é baseado em reportagens jornalísticas, fotografias e relatos de testemunhas.

"Esta é uma história muito pessoal para nós, pois vivenciamos a brutalidade no Irã. A brutalidade resultante dos protestos de janeiro nos tocou profundamente", disse Ash Koosha, CEO da Fountain O e produtor do filme, em entrevista ao Deadline. "Queríamos que nosso primeiro filme fosse dedicado a algo que acreditávamos ser mais conhecido e que o mundo precisava compreender melhor, em termos de custo humano."

Ash e o irmão, Pooya Koosha, que também assina a produção, nasceram no país do oeste asiático. Esta é a estreia deles como cineastas.

O ponto aqui é que o emprego da tecnologia ganha uma outra forma. Por conta da opressão do governo local, poucos relatos e imagens sobre os acontecimentos de janeiro ganharam o globo — isso enquanto o Irã surge nas manchetes de todo o mundo por conta da guerra contra os Estados Unidos. O cinema tradicional levaria tempo, teria custos mais altos e maiores dificuldades para reproduzir a realidade de Teerã e de seus habitantes em 2026.

Por outro lado, em apenas dois meses, a IA permitiu a criação de longa-metragem para que esse relato pudesse ser conhecido internacionalmente. De acordo com os produtores, o custo foi de apenas dois mil dólares (cerca de R$ 10 mil).

"Neste momento da história, em que tanto a inteligência artificial quanto o Irã são centrais no debate global, este filme oferece ao público uma perspectiva rara e íntima de um conflito que muitos não conseguiram ver ou compreender completamente. O que nos comoveu não foi apenas a conquista tecnológica, mas a imediaticidade emocional e a urgência da própria história", explicou Jane Rosenthal para o Deadline.

O trailer, ainda que caia em alguns dos lugares comuns dos vídeos sintéticos, surpreende por conseguir reproduzir com melhor qualidade as características das emoções humanas — e por trazer parte da linguagem do cinema europeu e de cineastas iranianos como Jafar Panahi.

Amazon entra no jogo

Se entre os filmes "live-action" as discussões ainda estão entre festivais e mercados, na animação o estágio está mais avançado.

Também na última semana, o Amazon Prime Video encomendou três séries animadas totalmente produzidas por IA generativa. Os projetos são "Cupcake & Friends", do BuzzFeed Studios; "Love, Diana Music Hunters", de Albie Hecht, ex-executivo da Nickelodeon e atual diretor de Conteúdo da pocket.watch; e "Punky Duck", de Jorge R. Gutierrez.

Todos os títulos farão parte do catálogo do Prime Video no futuro — e eles surgem a partir de uma iniciativa chamada GenAI Creators' Fund, criada como uma parceria entre a Amazon Web Services e a Amazon MGM Studios.

A estrutura é clara: une tecnologia, poder computacional, capacidade criativa e plataforma de distribuição.

Crescimento no YouTube

As ações da grande mídia e as iniciativas tanto no âmbito dos festivais quanto no mercado profissional do entretenimento precisam ser entendidas dentro de um contexto maior. É que em plataformas abertas da internet, o volume de vídeos produzidos por IA postados diretamente já é massivo.

Uma análise da Kapwing e repercutida pelo Business Insider indica que cerca de 21% dos vídeos mostrados para novos usuários no YouTube já seriam sintéticos ou na categoria de "AI slop" (lixo). Esta coluna de Splash já abordou as repercussões desse impacto não só no mercado de desenhos animados, mas também no público infantil.

Independentemente da qualidade, são conteúdos que ocupam o tempo do público — tirando assim a atenção de streamings como Netflix e Prime Video, ou até de outros modelos de entretenimento.

Usar a própria inteligência artificial para ocupar esse espaço, aumentando o volume de produção enquanto diminui custos, é uma resposta a isso que ocorre na web.

'Love, Diana Music Hunters', uma das animações totalmente feitas por IA encomendadas pelo Prime Video

'Love, Diana Music Hunters', uma das animações totalmente feitas por IA encomendadas pelo Prime Video

O Google também parece ter entendido que o excesso de AI slop é prejudicial aos seus interesses — inclusive quando toca em temas como deepfakes e informações falsas ou irreais. Nos últimos dias, um post no blog do YouTube detalhou que a plataforma trará "selos mais proeminentes" para "conteúdos fotorrealistas e significativamente alterados ou gerados por IA". A ideia, afirma a empresa, é dar o contexto necessário para os espectadores.

E agora, ChatGPT?

Como vemos, o debate está migrando. Não é mais sobre não aceitar a inteligência artificial, mas entender como ser claro sobre a sua utilização e, principalmente, em quais contextos o seu uso é justo.

Do lado do público, a indústria começa a testar os limites da aceitação. "Acredito que, enquanto o que produzirmos não for repetitivo e, de alguma forma, cansativo para o público, a IA não terá chance", disse a atriz Tilda Swinton em uma Masterclass em Cannes. A dúvida que fica, no entanto, vai além: até que ponto as pessoas preferem — e conseguem identificar — o trabalho artesanal humano?

Isso leva a uma nova camada, a mais polêmica — que vai além do simples copyright: como provar que trabalhos de terceiros, traços faciais, expressões e outros elementos não foram usados para treinamento da inteligência artificial?

E mesmo que a sociedade trace uma linha que determine que queremos atores humanos em cena, como ficam os empregos de decoradores de set, operadores de câmera, figurinistas, roteiristas, artistas de computação gráfica e tantos outros profissionais que podem ser substituídos por 2 mil dólares em tokens gastos em um data center na Virgínia ou em Barueri?

São muitas questões — e essas, nem ChatGPT, Gemini ou Claude vão conseguir te responder.


3 comentários

Paulo Eduardo Santana

Assim como os filmes 3D não decolaram, os feitos por IA também não vão muito longe. Ninguém quer ver desenho o tempo todo... as pessoas querem ver artistas reais, gente como a gente... 

Rogério Barbieri

é  a realidade,  atores continuaram existindo, porém terão apenas a imagem vinculada ao filme,  essa é a tendencia

Roberto da Silva Torres

Algum paralelo entre pinturas e as primeiras fotografias?       . Esculturas esculpidas e impressões 3D?       . Ferramentas diferentes para artistas diferentes?     . O que mais me assusta sao as possibilidades e potencialização de narrativas, ja tão presentes no cinema comercial.

Por Renan Martins Frade

01/06/2026 


sábado, 25 de abril de 2026

Gore Verbinski diz que usa IA, mas critica excesso: 'Devemos ficar atentos'

Mais conhecido por dirigir os três primeiros filmes da saga 'Piratas do Caribe', o diretor comentou seu mais novo longa, "Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra", ficção científica que alerta sobre os efeitos nocivos da inteligência artificial.

Verbinski afirmou que a urgência do tema veio do impacto da IA e das redes sociais na vida das pessoas. O filme é estrelado por Sam Rockwell, que interpreta um viajante do tempo com um objetivo: recrutar pessoas dispostas a ajudá-lo a salvar o planeta de uma inteligência artificial.

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Conteúdo UOL

Sou muito familiarizado com imagens de IA geradas por computadores, usamos o tempo todo. Eu gosto de conhecer e entender isso. Mas acho que tenho um problema particular com como a AI está sendo usada. Existem algumas coisas que eu acho que podemos usar IA para processar e resolver problemas, mas quando ela passa em frente ao processo criativo, eu acho que é aí que temos um problema.
Gore Verbinski

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Verbinski defendeu que, apesar de ajudar a "processar e resolver problemas", a IA não pode substituir atividades que, para ele, passam pelo que torna as pessoas humanas: "Eu não preciso que a IA escreva uma poesia para mim. Tem certas coisas que nos fazem humanos e contar histórias é uma delas".

Então, acho que devemos estar muito atentos, não apenas ao processo criativo, com a IA tentando terminar sua frase ou se colocar à sua frente, mas também na função de busca. Às vezes, você quer divagar, você acha que sabe o que está


Gore Verbinski diz que usa IA, mas critica excesso: 'Devemos ficar atentos'

Mais conhecido por dirigir os três primeiros filmes da saga 'Piratas do Caribe', o diretor comentou seu mais novo longa, "Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra", ficção científica que alerta sobre os efeitos nocivos da inteligência artificial.

Verbinski afirmou que a urgência do tema veio do impacto da IA e das redes sociais na vida das pessoas. O filme é estrelado por Sam Rockwell, que interpreta um viajante do tempo com um objetivo: recrutar pessoas dispostas a ajudá-lo a salvar o planeta de uma inteligência artificial.

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Sou muito familiarizado com imagens de IA geradas por computadores, usamos o tempo todo. Eu gosto de conhecer e entender isso. Mas acho que tenho um problema particular com como a AI está sendo usada. Existem algumas coisas que eu acho que podemos usar IA para processar e resolver problemas, mas quando ela passa em frente ao processo criativo, eu acho que é aí que temos um problema.Gore Verbinski

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Verbinski defendeu que, apesar de ajudar a "processar e resolver problemas", a IA não pode substituir atividades que, para ele, passam pelo que torna as pessoas humanas: "Eu não preciso que a IA escreva uma poesia para mim. Tem certas coisas que nos fazem humanos e contar histórias é uma delas".

Então, acho que devemos estar muito atentos, não apenas ao processo criativo, com a IA tentando terminar sua frase ou se colocar à sua frente, mas também na função de busca. Às vezes, você quer divagar, você acha que sabe o que está procurando, mas existe um processo de descoberta que eu não quero eliminar. Gore Verbinski

de descoberta que eu não quero eliminar.

Gore Verbinski

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sábado, 18 de abril de 2026

MENSAGEM DE ANÁPOLIS COMPLETA 70 ANOS

 sábado, 18 de abril de 2026

MENSAGEM DE ANÁPOLIS COMPLETA 70 ANOS


Capítulo 1


Aos ventos que virão 


18 de Abril de 1956


MENSAGEM DE ANÁPOLIS 70 ANOS


 Hoje completam se 70 Anos da Mensagem de Anápolis enviada ao Congresso Nacional pelo Presidente Juscelino Kubitschek propondo a construção de Brasília com a criação da Novacap, assinada no Aeroporto de Anápolis na madrugada de 18 de Abril de 1956.


Em 18 de abril de 1956, Juscelino assinou nesse aeroporto, a Mensagem nº 156, a "Mensagem de Anápolis" – que dispunha sobre a mudança da Capital Federal e a criação da sua construtora Novacap – que foi enviada ao Congresso Nacional, onde tramitou sob a forma do Projeto de Lei nº 1.234, de 1956, aprovado, na Câmara, em 23 de agosto de 1956 e transformado na Lei nº 2.874, de 1956, sancionada em 19 de setembro do mesmo ano.


O Presidente Juscelino Kubitschek relata  o acontecimento da assinatura da "Mensagem de Anápolis" em uma de suas entrevistas já nos anos 1970.


É essa passagem da entrevista com o relato que estamos buscando para fazer uma reconstituição da cena da assinatura da "Mensagem de Anápolis", uma vez que não existe ou não se conhece nenhum registro filmado ou fotografado desse importante acontecimento histórico.


 Segundo relatos publicados, aconteceu que, naquele 18 de abril de 1956, o presidente da República embarcou num avião da FAB, no Rio de Janeiro, para uma viagem a Manaus. 


JK havia planejado pousar em Goiânia, uma cidade recém construída, para assinar e festejar a mensagem ao Congresso do projeto de lei sobre a mudança da capital federal. 


O criador da capital queria fazer um ato público, a ter lugar na principal praça da capital do estado, durante o qual assinaria a mensagem que seria enviada ao Congresso Nacional.


Antes da descida, o avião presidencial deparou com uma imensa aglomeração à espera da chegada da comitiva. À frente, porém, uma nuvem branca, cerrada e densa, estacionou exatamente em cima da pista. A solução foi se encaminhar a Anápolis, que possuía seu aeroporto onde JK já estivera por outras vezes durante a sua campanha para presidente e que tinha até vôos internacionais, onde o avião pousou antes das cinco horas da manhã.


Depois de aterrissar, a delegação se encaminhou para a casa que servia de residência ao casal que cuidava do aeroporto, onde foi oferecido um café da manhã à comitiva.


Na presença de poucas pessoas, JK sacou da caneta e assinou ali mesmo a mensagem para o Congresso sobre a transferência da Capital do Rio para Brasília e ainda marcou a data de inauguração. 


Antes de assinar, de próprio punho, JK riscou a palavra Goiânia e escreveu Anápolis, 18 de Abril de 1956

MENSAGEM DE ANÁPOLIS 70 ANOS

 Capítulo 1

Aos Ventos que virão 

18 de Abril de 1956

Grande Data. completam se 70 Anos da Mensagem de Anápolis ao Congresso Nacional propondo a construção de Brasília com a criação da Novacap, assinada por Juscelino Kubitschek no Aeroporto de Anápolis na madrugada de 18 de Abril de 1956.

Em 18 de abril de 1956, Juscelino assinou nesse aeroporto, a Mensagem nº 156, a "Mensagem de Anápolis" – que dispunha sobre a mudança da Capital Federal e a criação da sua construtora Novacap – que foi enviada ao Congresso Nacional, onde tramitou sob a forma do Projeto de Lei nº 1.234, de 1956, aprovado, na Câmara, em 23 de agosto de 1956 e transformado na Lei nº 2.874, de 1956, sancionada em 19 de setembro do mesmo ano.

O Presidente Juscelino Kubitschek relata  o acontecimento da assinatura da "Mensagem de Anápolis" em uma de suas entrevistas já nos anos 1970.

É essa passagem da entrevista com o relato que estamos buscando para fazer uma reconstituição da cena da assinatura da "Mensagem de Anápolis", uma vez que não existe ou não se conhece nenhum registro filmado ou fotografado desse importante acontecimento histórico.

 Segundo relatos publicados, aconteceu que, naquele 18 de abril de 1956, o presidente da República embarcou num avião da FAB, no Rio de Janeiro, para uma viagem a Manaus. 

JK havia planejado pousar em Goiânia, uma cidade recém construída, para assinar e festejar a mensagem ao Congresso do projeto de lei sobre a mudança da capital federal. 

O criador da capital queria fazer um ato público, a ter lugar na principal praça da capital do estado, durante o qual assinaria a mensagem que seria enviada ao Congresso Nacional.

Antes da descida, o avião presidencial deparou com uma imensa aglomeração à espera da chegada da comitiva. À frente, porém, uma nuvem branca, cerrada e densa, estacionou exatamente em cima da pista. A solução foi se encaminhar a Anápolis, que possuía seu aeroporto onde JK já estivera por outras vezes durante a sua campanha para presidente e que tinha até vôos internacionais, onde o avião pousou antes das cinco horas da manhã.

Depois de aterrissar, a delegação se encaminhou para a casa que servia de residência ao casal que cuidava do aeroporto, onde foi oferecido um café da manhã à comitiva.

Na presença de poucas pessoas, JK sacou da caneta e assinou ali mesmo a mensagem para o Congresso sobre a transferência da Capital do Rio para Brasília e ainda marcou a data de inauguração. 

Antes de assinar, de próprio punho, JK riscou a palavra Goiânia e escreveu Anápolis, 18 de Abril de 1956

 


MENSAGEM DE ANÁPOLIS 70 ANOS

Capítulo 1

Aos Ventos que virão 

18 de Abril de 1956

Grande Data. completam se 70 Anos da Mensagem de Anápolis ao Congresso Nacional propondo a construção de Brasília com a criação da Novacap, assinada por Juscelino Kubitschek no Aeroporto de Anápolis na madrugada de 18 de Abril de 1956.

Em 18 de abril de 1956, Juscelino assinou nesse aeroporto, a Mensagem nº 156, a "Mensagem de Anápolis" – que dispunha sobre a mudança da Capital Federal e a criação da sua construtora Novacap – que foi enviada ao Congresso Nacional, onde tramitou sob a forma do Projeto de Lei nº 1.234, de 1956, aprovado, na Câmara, em 23 de agosto de 1956 e transformado na Lei nº 2.874, de 1956, sancionada em 19 de setembro do mesmo ano.

O Presidente Juscelino Kubitschek relata  o acontecimento da assinatura da "Mensagem de Anápolis" em uma de suas entrevistas já nos anos 1970.

É essa passagem da entrevista com o relato que estamos buscando para fazer uma reconstituição da cena da assinatura da "Mensagem de Anápolis", uma vez que não existe ou não se conhece nenhum registro filmado ou fotografado desse importante acontecimento histórico.

 Segundo relatos publicados, aconteceu que, naquele 18 de abril de 1956, o presidente da República embarcou num avião da FAB, no Rio de Janeiro, para uma viagem a Manaus. 

JK havia planejado pousar em Goiânia, uma cidade recém construída, para assinar e festejar a mensagem ao Congresso do projeto de lei sobre a mudança da capital federal. 

O criador da capital queria fazer um ato público, a ter lugar na principal praça da capital do estado, durante o qual assinaria a mensagem que seria enviada ao Congresso Nacional.

Antes da descida, o avião presidencial deparou com uma imensa aglomeração à espera da chegada da comitiva. À frente, porém, uma nuvem branca, cerrada e densa, estacionou exatamente em cima da pista. A solução foi se encaminhar a Anápolis, que possuía seu aeroporto onde JK já estivera por outras vezes durante a sua campanha para presidente e que tinha até vôos internacionais, onde o avião pousou antes das cinco horas da manhã.

Depois de aterrissar, a delegação se encaminhou para a casa que servia de residência ao casal que cuidava do aeroporto, onde foi oferecido um café da manhã à comitiva.

Na presença de poucas pessoas, JK sacou da caneta e assinou ali mesmo a mensagem para o Congresso sobre a transferência da Capital do Rio para Brasília e ainda marcou a data de inauguração. 

Antes de assinar, de próprio punho, JK riscou a palavra Goiânia e escreveu Anápolis, 18 de Abril de 1956

 


sexta-feira, 17 de abril de 2026

MENSAGEM DE ANÁPOLIS 70 ANOS

MENSAGEM DE ANÁPOLIS 70 ANOS

Capítulo 1

Aos Ventos que virão 

18 de Abril de 1956

Grande Data. completam se 70 Anos da Mensagem de Anápolis ao Congresso Nacional propondo a construção de Brasília com a criação da Novacap, assinada por Juscelino Kubitschek no Aeroporto de Anápolis na madrugada de 18 de Abril de 1956.

Em 18 de abril de 1956, Juscelino assinou nesse aeroporto, a Mensagem nº 156, a "Mensagem de Anápolis" – que dispunha sobre a mudança da Capital Federal e a criação da sua construtora Novacap – que foi enviada ao Congresso Nacional, onde tramitou sob a forma do Projeto de Lei nº 1.234, de 1956, aprovado, na Câmara, em 23 de agosto de 1956 e transformado na Lei nº 2.874, de 1956, sancionada em 19 de setembro do mesmo ano.

O Presidente Juscelino Kubitschek relata  o acontecimento da assinatura da "Mensagem de Anápolis" em uma de suas entrevistas já nos anos 1970.

É essa passagem da entrevista com o relato que estamos buscando para fazer uma reconstituição da cena da assinatura da "Mensagem de Anápolis", uma vez que não existe ou não se conhece nenhum registro filmado ou fotografado desse importante acontecimento histórico.

 Segundo relatos publicados, aconteceu que, naquele 18 de abril de 1956, o presidente da República embarcou num avião da FAB, no Rio de Janeiro, para uma viagem a Manaus. 

JK havia planejado pousar em Goiânia, uma cidade recém construída, para assinar e festejar a mensagem ao Congresso do projeto de lei sobre a mudança da capital federal. 

O criador da capital queria fazer um ato público, a ter lugar na principal praça da capital do estado, durante o qual assinaria a mensagem que seria enviada ao Congresso Nacional.

Antes da descida, o avião presidencial deparou com uma imensa aglomeração à espera da chegada da comitiva. À frente, porém, uma nuvem branca, cerrada e densa, estacionou exatamente em cima da pista. A solução foi se encaminhar a Anápolis, que possuía seu aeroporto onde JK já estivera por outras vezes durante a sua campanha para presidente e que tinha até vôos internacionais, onde o avião pousou antes das cinco horas da manhã.

Depois de aterrissar, a delegação se encaminhou para a casa que servia de residência ao casal que cuidava do aeroporto, onde foi oferecido um café da manhã à comitiva.

Na presença de poucas pessoas, JK sacou da caneta e assinou ali mesmo a mensagem para o Congresso sobre a transferência da Capital do Rio para Brasília e ainda marcou a data de inauguração. 

Antes de assinar, de próprio punho, JK riscou a palavra Goiânia e escreveu Anápolis, 18 de Abril de 1956

 


CAPÍTULO 1 AOS VENTOS QUE VIRÃO

 17 de Abril de 1956. Me preparando para encontrar JK no aeroporto 

quarta-feira, 1 de abril de 2026

ATORES E ATRIZES EM IA, MATÉRIA DE 2024 Opinião: o problema de rejuvenescer nossas megaestrelas no cinema

Novo filme de Tom Hanks pode levantar debate com o ator interpretando o personagem na adolescência

Holly Thomas, da CNN

Como qualquer cinéfilo que se preze (ou homem com mais de 40 anos) lhe dirá, a grande chance de Robert De Niro veio em “O Poderoso Chefão II”, de 1974. De Niro interpretou uma versão mais jovem de Vito Corleone, o chefe da máfia cuja interpretação original de Marlon Brando é lendária 

Quarenta e cinco anos depois, De Niro estrelou como outro gângster no épico de Martin Scorsese de 2019, “O Irlandês”. O filme acompanha o progresso de Frank Sheeran por mais de cinco décadas, de 1949 a 2000, quando ele estava já idoso em uma casa de repouso.

Como ator já na casa dos 70 anos, De Niro era ideal para interpretar o Sheeran mais velho. Ao contrário de “O Poderoso Chefão II”, no entanto, nenhum novato foi convocado para interpretar seu colega mais jovem. Graças à tecnologia antienvelhecimento, De Niro retratou Sheeran ao longo de sua vida, com as linhas de seu rosto suavizadas digitalmente.

O filme recebeu ótimas críticas e 10 indicações ao Oscar de 2020. Também acelerou um debate sobre o envelhecimento que parece prestes a aumentar com o tão aguardado lançamento de “Here”, com estreia prevista para 15 de novembro

“Here” apresenta Tom Hanks e Robin Wright, que têm 67 e 58 anos, respectivamente, interpretando personagens desde a adolescência até os 80 anos.

O diretor do filme, Robert Zemeckis, comparou seu estilo visual ao dos filmes mudos. Se “O Irlandês” servir de referência, suspeito que os recursos de botox digital de Hanks e Wright irão infundi-lo com uma aura igualmente chocante de irrealidade.

Um pequeno esclarecimento antes de prosseguirmos: existem algumas maneiras de fazer os atores parecerem mais jovens na tela usando a tecnologia, cada uma com vantagens e desvantagens. A técnica de rejuvenescimento em “O Irlandês” usa um software baseado em luz chamado FLUX. Basicamente, ele implanta câmeras extras e usa software de Inteligência Artificial para corrigir as rugas do ator, mas não altera muito o formato do rosto.

Em “Projeto Gemini”, de 2019, no entanto, a versão mais jovem do personagem de Will Smith, Henry Brogan, tem uma cabeça totalmente CGI [gerada por computador], animada via captura de movimento à la Gollum de Andy Serkis na trilogia "O Senhor dos Anéis".

Ao contrário do “jovem” Sheeran, que não se parece em nada com De Niro em seu auge, as maçãs do rosto salientes e o queixo fino de Brogan lembram um Smith da era Fresh Prince, embora aquele que poderia ter sido retirado diretamente de um jogo de computador, recusou-se a atuar usando capacete e marcadores e, sendo De Niro, conseguiu o que queria, daí o uso da tecnologia FLUX como resultado.

O diretor Quentin Tarantino disse que se acostumou com o envelhecimento muito rapidamente quando viu “O Irlandês” no cinema, mas “notou mais” quando assistiu na TV.

O cineasta britânico George Miller, que dirigiu "Furiosa e criou a franquia "Mad Max", disse que considerou escalar Charlize Theron novamente para o papel principal e rejuvenescê-la, mas decidiu depois de assistir “O Irlandês” e “Projeto Gemini” que não seria “persuasivo”.

Um problema recorrente é que, a menos que você use um rosto inteiramente CGI, que pode ser sobreposto ao corpo de outro ator, você ainda estará restrito à fisicalidade do ator mais velho. Há uma parte dolorosa em “O Irlandês” quando um Sheeran supostamente jovem chuta outro personagem fora de sua loja. Sheeran pretendia emanar vigor e intimidação, mas ele “persegue” o cara com movimentos afetados e pesados.

Há um problema semelhante em “Indiana Jones e a Relíquia do Destino”Indy, interpretado por Harrison Ford, que tinha 80 anos quando o filme foi lançado, é perseguido por um trem cheio de nazistas em uma cena de flashback, mas apesar do rosto jovem, o desempenho é letárgico em comparação com o afiado Indy do passado.

A mesma coisa em Capitã Marvel de 2019, quando um rejuvenescido Samuel L Jackson tentou protagonizar uma grande cena de luta como Nick Fury e nenhum ator, não importa o quão habilidoso seja, pode voltar no tempo.

É por isso que as megaestrelas rejuvenescidas sempre parecem um pouco nojentas. Embora seja sem dúvida útil - e a reformulação de nomes conhecidos vem com sua própria bagagem - você sente que diretores e produtores estão tentando capitalizar a nostalgia evocada pela reencarnação dos atores em vez de tentar algo novo.

No trailer de “Here”, o personagem de Hanks ostenta um corte de cabelo que poderia ter sido retirado diretamente de seu sucesso de 1988, “Big”. É manipulador e parece resultar da mesma ansiedade que faz Hollywood produzir remakes e sequências.Dada a enorme quantidade de tempo e dinheiro que os cineastas investiram no envelhecimento, parece uma pena que seus esforços não possam ser redirecionados em promover novos talentos.

Timothée Chalamet interpretou o jovem Casey Affleck em “Interestelar”, de 2014; Gwyneth Paltrow interpretou a jovem Maggie Smith em “Hook: A Volta do Capitão Gancho”, de 1991; e Michael Cera interpretou o jovem Sam Rockwell em “Confissões de uma Mente Perigosa”, de 2002. A versão mais nova de Brando por De Niro, o maior ator de sua geração, colocou-o no caminho para se tornar o maior ator de sua própria geração.